9 de jun. de 2021

Humoristas ressaltam os desafios na troca de profissões e afirmam que é possível trabalhar com a Comédia

 



Formadas em outras áreas de atuação, Fernanda Arantes e Bruna Braga fortalecem o Stand-Up no país


Se ser mulher numa sociedade machista e desigual é uma missão que requer coragem, imagina para mulher que tem a comédia como profissão. Assim é a vida da médica veterinária, Fernanda Arantes, guarulhense, de 28 anos, que viu o humor pulsar mais forte em seu sangue a fazendo migrar para a área do Stand-Up, como contou ao participar do programa global ‘Simples Assim’, comandado por Angélica.

Segundo a humorista, que também é uma das alunas da Escola de Atores Wolf Maya e já se apresentou nas principais casas de comédia do Brasil, como ‘Comedians’, ‘Clube do Minhoca’, ‘Hilarius’ e ‘Interiorano’, tudo começou quando ela sentiu que faltava algo a mais na sua trajetória profissional. “Na verdade, não foi uma mudança idealizada. Chegou uma hora em que eu estava num patamar legal na minha carreira. Mas voltei para o teatro e comecei a escrever várias esquetes cômicas, me interessando por comédia e entrando de vez para o Stand-Up, que virou minha paixão”, ressaltou.

E quem vê a Fernanda desenvolta nos palcos pelo país afora não imagina ter sido uma tarefa desafiadora para ela. “Essa migração foi difícil como qualquer mudança. É complicado você tomar decisões quando durante toda sua vida você foi ensinada a seguir padrões como ter uma profissão segura, filhos e ser feliz só quando se aposentar. Todo dia é um processo de conscientização sobre o que é importante para mim e não para a sociedade”, revelou.

De acordo com a humorista, para ir em busca do seu sonho foi preciso aceitar sua verdadeira vontade, criando assim um plano para que o hobby se tornasse profissão e transpondo a barreira de que a mulher fazendo comédia é algo ruim. E de lá para cá na profissão, um dos momentos mais marcantes de sua jornada foi a estreia do seu solo ‘Virando a chave’. “Ver pessoas saindo de casa para ouvir o que eu tinha a dizer foi uma experiência surreal”, disse
orgulhosa.

Com mais de 42 mil seguidores no Instagram e com 300 mil no Tik Tok, Fernanda revela que no começo da sua carreira artística os familiares e amigos não deram muita credibilidade, achando que estivesse apenas de brincadeira, mas com o passar do tempo foram vendo que ela estava firme em sua decisão e levando cada vez mais a sério a profissão, ganhando deles hoje o apoio necessário.

Outra que precisou ser forte e encarar os desafios de uma mulher brasileira comediante é a humorista Bruna Braga, paulista, de 27 anos. Também formada em fotografia e design de moda e atuando na área há quatro anos, ela conta o motivo de ter enveredado para essa área. “Foi pela vontade de dizer algo em alto e bom som. Ser vista para ter a minha fala válida e me sentir útil podendo afetar positivamente as pessoas, além de ver no humor a minha própria salvação”, explicou.

Bruna, que também trabalha como roteirista, já escreveu para programas como ‘Dani-Se’, comandado por Dani Calabresa; no GNT, para o Prêmio Multishow 2020 e esteve nas últimas três temporadas de Stand-up do Comedy Central. Contratada pela Rede Globo, ela se prepara para novos projetos. “Estou escrevendo para o ‘Novo Normal’ da Globo, onde também vou atuar e estrear em agosto. Escrevo ainda para o ‘Jojo Nove e Meia’, programa da Jojo Toddynho, no Multishow, que estreia em breve, e venho conciliando os shows corporativos, planejamentos estratégicos com marcas e alguns projetos ainda secretos que espero muito poder contar para todos o quanto antes”, revelou.  

Apaixonada pela comédia e entendendo seu papel social na sociedade, ela salienta o que pretende por meio desse trabalho. “Meu objetivo é atingir pessoas e fazê-las entender que humor não é só sobre graça ou piada, mas sobre estado de espírito. Quero ajudar a elevar esse sentimento, trazer alguma reflexão se possível”, pontuou.

E completa dizendo: “Ser humorista é um processo de autoconhecimento e expansão. Amo o que eu faço e eu não sei mais viver sem. As maiores dificuldades inicialmente são as financeiras, depois enfrentar o machismo e o racismo do meio. Infelizmente existe um número de comediantes majoritariamente masculino e branco e as coisas acabam sendo como na sociedade: pouco espaço para muita luta”.

Fernanda arantes redes: 

Nenhum comentário: