Vida Sana

10 de out de 2018

LANÇAMENTO ÂYINÉ: Livro de Byung-Chul Han analisa neoliberalismo e as novas formas de controle




Livro de Byung-Chul Han analisa neoliberalismo e as novas formas de controle 

Lançado pela Âyiné, “Psicopolítica: O neoliberalismo e as novas técnicas de poder” faz diagnóstico dos impactos que a era digital e o big data têm sobre os indivíduos
O livro “Psicopolítica: O neoliberalismo e as novas técnicas de poder”, do escritor sul-coreano Byung-Chul Han (Seul, 1959), chega às livrarias em meados de outubro pela Editora Âyiné. Considerado um dos filósofos mais inovadores da atualidade, o autor faz um diagnóstico preciso e instigante sobre a chamada sociedade do controle psicopolítico e digital, propondo reflexões em torno de temas como crise da liberdade, ditadura do capital, lógica do consumo, big data, e as várias formas de exercer o poder. A obra é a primeira a ser lançada da nova coleção Aut-aut da Âyiné, dedicada a autores de esquerda. (A foto da capa do livro está anexa)
Nos 13 capítulos do livro, Han adverte para uma mudança de paradigma histórica e particular na sociedade: sob o regime neoliberal, a liberdade estaria caminhando rumo a uma dialética fatal, transformando-se em coerção. Na perspectiva do autor, os indivíduos se alimentam da ilusória crença de que são livres, quando, na realidade, são sujeitos submissos. Para redefinir a liberdade, seria necessário tornar-se herege, voltar-se à livre escolha e livrar-se da obrigação de conformidade.
“O sujeito do desempenho, que se julga livre, é na realidade um servo: é um servo absoluto, na medida em que, sem um senhor, explora voluntariamente a si mesmo. (...) O neoliberalismo é um sistema muito eficiente – diria até inteligente – na exploração da liberdade: tudo aquilo que pertence às práticas e formas de expressão da liberdade (como a emoção, o jogo e a comunicação) é explorado. Explorar alguém contra sua própria vontade não é eficiente, na medida em que torna o rendimento muito baixo. É a exploração da liberdade que produz o maior lucro”, escreve o filósofo sul-coreano.
Han recheia o livro com referências filosóficas de diversos pensadores, entre os quais Karl Marx, Foucault, Gilles Deleuze, George Orwell e Walter Benjamin. Para o autor, o regime neoliberal inventa formas de exploração cada vez mais refinadas e sutis. A sociedade, na era digital, dispõe de instrumentos como mídias sociais, big data e smartphones que são utilizados para monitorar, controlar, quantificar e explorar a psique dos indivíduos. O neoliberalismo, diz Han, é o capitalismo do curtir; o curtir é o amém do digital; e o Facebook, a igreja ou a sinagoga do digital.
“A psicopolítica neoliberal é a técnica de dominação que estabiliza e mantém o sistema dominante através da programação e do controle psicológicos. (...) Hoje, caminhamos para a era da psicopolítica digital, que avança da vigilância passiva ao controle ativo, empurrando-nos, assim, para uma nova crise da liberdade: até a vontade própria é atingida. A partir do big data é possível extrair não apenas o psicograma individual, mas o psicograma coletivo, e quem sabe até o psicograma do inconsciente”, pontua.
O autor alerta para o fato de que a exploração da psique e a profunda crise de liberdade provocam o esgotamento do indivíduo e doenças psíquicas como depressão e burnout. Segundo ele, aqueles que fracassam estão fadados a se tornarem depressivos e a se culparem pelos problemas, sem condições de apresentarem qualquer tipo de resistência ao sistema, transformando a sociedade em uma arena de espectadores passivos. Nesse contexto, surgem ainda técnicas de dominação neoliberal como workshops de desenvolvimento pessoal e motivacionais, com os quais as pessoas são controladas e exploradas por completo e não apenas em sua jornada de trabalho diz o autor.
“Quem fracassa na sociedade neoliberal de desempenho, em vez de questionar a sociedade ou o sistema, considera si mesmo como responsável e se envergonha por isso. Aí está a inteligência peculiar do regime neoliberal: não permite que emerja qualquer resistência ao sistema. No regime de exploração imposta por outros, ao contrário, é possível que os explorados se solidarizem e juntos se ergam contra o explorador. Essa é a lógica que fundamenta a ideia marxista da ‘ditadura do proletariado’, que pressupõe, porém, relações repressivas de dominação. Já no regime neoliberal de autoexploração, a agressão é dirigida contra nós mesmos. Ela não transforma os explorados em revolucionários, mas sim, em depressivos.”
Nascido em Seul, Han alcançou grande notoriedade internacional, tornando-se um dos mais reconhecidos pensadores sobre os males que atingem a sociedade neoliberal depois da queda do Muro de Berlim. Ex-professor da Staatliche Hochschule für Gastaltung, em Karlsruhe, ele leciona atualmente Filosofia e Estudos Culturais na Universidade de Künste, em Berlim, e é autor de ensaios sobre globalização e hipercultura.
Sobre a Editora Âyiné
A Âyiné foi fundada em 2013, em Veneza, por dois italianos e pelo brasileiro Pedro Fonseca, que atua como diretor editorial. Começou com a publicação de uma revista homônima dedicada ao mundo islâmico e depois expandiu ao lançar diversos livros, dando destaque para autores da Europa Central. Com o intuito de inovar o mercado editorial no Brasil, a Âyiné prioriza escritores que estão fora do radar das grandes editoras.

A Âyiné trabalha com a ideia de coleções perenes. Atualmente, a editora tem três: Biblioteca Antagonista, Pre-Textos e Das Andere. A primeira tem caráter filosófico, dialogando ainda com a estética e a política. Integram a coleção autores como Simone Weil, Roger Scruton, V.S Naipaul, Emil Cioran, Gertrud Stein e Marcel Proust.
A coleção Das Andere, por sua vez, é dedicada à literatura e possui sete títulos, incluindo Alberto Manguel, Tomas Tranströmer, Paul Valéry e Joseph Brodsky. Por último, a Pre-Textos tem como destaque o escritor e filósofo italiano Massimo Cacciari. São cinco livros publicados trazendo ensaios e reflexões filosóficas e estéticas.
Livro: “Psicopolítica: O neoliberalismo e as novas técnicas de poder”
Autor: Byung-Chul Han
Tradução: Maurício Liesen
Capa: Julia Geiser
Preço: R$ 39,90

Editora Âyiné
Site: www.ayine.com.br

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