Vida Sana

26 de nov de 2018

Haicais tropicais, de Rodolfo W. Guttilla


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No ano em que se comemoram os 110 anos da imigração japonesa no Brasil, Haicais tropicais reúne vinte autores brasileiros e convida o leitor a conhecer o poema oriental de três versos que trata de temas como a passagem do tempo, a natureza, as estações do ano e o espírito humano.

“Uma leitura obrigatória para quem gosta de haicais e para quem ainda não sabe que gosta. Para poetas e não poetas. Para quem escreve e para quem quer aprender a escrever. Para todos os que procuram a surpresa e a essência da vida.”
— José Eduardo Agualusa

Pequeno poema de origem japonesa, o haicai chegou ao Brasil no início do século XX e aqui trilhou sua própria história. Há mais de trinta anos, o poeta e pesquisador Rodolfo Witzig Guttilla faz um consistente trabalho arqueológico — que inclui desde a consulta a edições raras a entrevistas com autores — para reconstituir esse percurso e mapear nossos haicaístas, pesquisando a aclimatação do haicai no Brasil. Como resultado dessa trajetória, em 2009 organizou a coletânea Boa companhia: Haicai, também editado pela Companhia das Letras, com 24 autores e mais de 200 poemas.

Um dos frutos dessa pesquisa é Haicais tropicais, antologia com vinte poetas brasileiros que tiveram contato com a prática — seja criando ou traduzindo haicais — e contribuíram para sua difusão. São nomes consagrados, como Paulo Mendes Campos, Mario Quintana e Manoel de Barros, inusitados ou pouco lembrados de nosso cânone, como Sérgio Milliet e Austen Amaro, e contemporâneos, como Alice Ruiz S e Régis Bonvicino. Muitos deles ainda estão na ativa e renovam o gênero com frescor e originalidade, provando que o poema japonês de três versos permanece atual.

Com quase duas centenas de tercetos, além de uma introdução sobre o histórico do haicai e biografias dos autores selecionados, este é um convite para conhecer a tradição poética japonesa em sua melhor roupagem tropical.

silêncio na mata
a mariposa pousa na flor
outro silêncio
- Alice Ruiz S

Trecho:
            “Como não poderia deixar de ser, a seleção dos poemas, que mistura criações próprias a traduções de haicais clássicos — essas últimas grifadas em itálico —, se pautou pelos estados de espírito essenciais para a prática do haicai, como definidos por Reginald Horace Blyth (1898-1964) em sua tetralogia Haiku. São eles: abnegação, aceitação da solidão, desprendimento, ausência do ego, acolhimento da contradição, liberdade, simplicidade, ausência de moralidade, amor pelas coisas materiais e inanimadas, coragem e, por fim, humor, dentre os principais. Em linhas gerais, são estados de espírito presentes no zen-budismo e ausentes em nosso dia a dia — regido por valores materiais. O segredo da vida plena reside em buscar a justa medida e o equilíbrio, em harmonia com o mistério tremendo e transitório de nossa experiência humana — também breve, como o haicai.

            Nas páginas que seguem, apresentamos vinte poetas que, de forma única e múltipla, contribuíram para a popularização do haicai no Brasil. Haicais tropicais.”

RODOLFO WITZIG GUTTILLA nasceu em São Paulo em 1962. Formado em comunicação e em ciências sociais, é mestre em antropologia pela PUC-SP. Foi repórter, editor, pesquisador, professor e executivo de empresas de bens de consumo. É autor de, entre outros títulos, Ai! Que preguiça!.... Participou de várias antologias de poesia e organizou outra, Boa companhia: Haicai, publicada pela Companhia das Letras. Foi um dos fundadores do Grêmio de Haicai Ipê, em 1987.

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